Eu me lembro da época em que os gabinetes eram todos “quadradões”, sem graça e muito, muito feios.
Naquela época existiam os gabinetes brancos que com o tempo, ficavam amarelados em função do elemento químico bromo adicionado ao plástico ou existiam os gabinetes pretos (mais raros).

É claro que existiam alguns modelos de outras cores, como por exemplo cinza ou com alguns detalhes pequenos em verde, azul ou vermelho. Ainda sim eram feios.

Além disto, eram também muito mal projetados na questão aerodinâmica. Raramente tinham um bom fluxo de ar em seu interior, deixando os componentes muito quentes em seu interior. Principalmente na época dos AMD Athlon XP e o início da prática de overclock da qual conhecemos hoje.

A solução era você mesmo tentar melhorar o projeto original do gabinete, seja para questões estéticas ou por questões de melhoria na refrigeração geral do sistema.

Eis que então surgiu o termo casemod, que nada mais é que a modificação do gabinete de um computador. O termo é originado da língua inglesa, formado pela junção de “Case” (que significa caixa, gabinete) e “Mod” (significa a contração de modificação).

Muitas pessoas, particularmente entusiastas em hardware faziam seus casemod´s para exaltar o poder do computador (mostrando o hardware interno), e também por propósitos estéticos.

O mercado de gabinetes para computadores era bastante conservador, e janelas laterais em acrílico, iluminação Led, painel de controle de ventoinhas e sistemas de refrigeração líquida eram na verdade invenções dos usuários praticantes do casemodding, uma vez que nada disto existia no mercado seja para compra de componentes ou mesmo produtos prontos desta categoria.

Meu primeiro casemod foi uma modificação na fonte de alimentação, que esquentava bastante em função da placa de vídeo e do processador. Com uma ventoinha adicional e peças em aço, construí um modelo modificado com 3x mais eficiência na refrigeração.

Como eu também tinha um PC high-end, resolvi mostrar o interior do PC, adicionando janelas de acrílico na lateral e no topo. Até o gravador de CD/DVD recebeu a parte superior feita em acrílico onde se podia ver o DVD girando dentro do drive.

Não satisfeito ainda construí uma baia com controladores de rotação e chaves de liga/desliga para cada uma das ventoinhas do PC, além de adicionar duas portas USB frontais, que não eram muito comuns em gabinetes de entrada.

Por fim, adicionei uma lâmpada de catodo frio na cor azul e o projeto estava terminado. Não preciso mencionar que o gabinete ficou lindo. Além de lindo era uma peça única no mundo, com um trabalho feito à mão e totalmente personalizado.

Naquela época “casemod” e PCs de alto desempenho eram quase que um sinônimo, onde mostrar o interior do gabinete e embelezar seu design era um passa-tempo muito recompensador.

O fato é que o casemodding se tornou uma febre e muitos entusiastas se aventuraram em modificações mais elaboradas, como por exemplo, sistemas de watercooler totalmente artesanais utilizando mangueiras, bombas e blocos de cobre polidos à mão. Digo se “aventuraram” porque projetar um sistema de refrigeração líquido naquela época, era um grande desafio com enorme risco de estragar os componentes do PC.

Muitos artistas também aproveitaram para expor suas artes nas tampas dos gabinetes, utilizando spray e muita criatividade. Gabinetes modificados com temas de jogos e filmes eram os mais apreciados, devido à complexidade de sua produção.

Acontece é que hoje em dia, existe não somente um mercado inteiro e completo de componentes para customização de gabinetes, como também existem linhas completas de gabinetes totalmente finalizados e fabricados em série.

O problema é que apesar de ser muito mais fácil adquirir um gabinete “gamer” fabricado em série, ele não é um produto único. Muitas pessoas vão possuir um gabinete exatamente como o seu, o que tira todo o brilho de possuir um gabinete personalizado e construído por meio de modificações.

A febre dos componentes RGB também aumentou esse mercado e temos componentes como coolers, memórias, placas-mãe, placas de vídeo, gabinetes, headsets, mouses, teclados, fontes de alimentação e até mesmo SSD´, mousepads e suportes para fones de ouvidos. Até cadeiras com iluminação LED RGB se encontra nos dias atuais.

O “casemodding” é arte aliada à tecnologia.
Ainda que existam os produtos industrializados e fabricados em série, os “modder´s” como são chamados, ainda realizam mais modificações nestes produtos, a fim de tornar seu sistema um projeto único. Expressar seu apreço pela tecnologia através do “casemodding” ainda é e sempre será algo que enche os olhos e fascina todos os loucos por tecnologia.

Não há limites para a imaginação quando se refere a “casemodding”.
Você poderá se inspirar em carros de corrida, naves espaciais, desenhos e animes, insetos, sistemas planetários, filmes e séries e tudo mais o que desejar.
Dito isto, “casemodding” é mais do que uma modinha passageira… é um estilo.

 

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